ENTREVISTA LETÍCIA PORTO

          1. Quem é Letícia Romanelli Porto? Apresente-se.

Nasci na cidade de Guaranésia em abril de 1994. Minha paixão pela arte e arquitetura começou ainda na infância com as aulas de pintura do professor Tato Alves. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela PUC Minas em Poços de Caldas, onde morei por cinco anos. Em dezembro optei por voltar a morar em Guaranésia e aqui abrir meu escritório, pois acredito que seria válido um escritório de arquitetura na cidade.

 

          2. Quando e como optou pela Arquitetura?

Quando eu era criança meus pais começaram a obra de construção da nossa casa e eu já gostava de acompanhar, pegava a trena para medir todos os detalhes. Na infância eu também gostava de construir casas e mobiliários para as minhas bonecas. Depois, no início do colegial, fui a uma exposição do Oscar Niemeyer com minha tia na Cidade Universitária em São Paulo e saí de lá com a certeza de qual profissão seguir.

 

          3. Depois que começou a estudar quais arquitetos mais te influenciou?

Além do Niemeyer já citado e que dispensa qualquer explicação, uma arquiteta que admiro muito é Lina Bo Bardi, autora dos projetos do MASP e Sesc Pompeia, ambos em São Paulo. O MASP sempre foi um ícone da arquitetura moderna para mim e o Sesc foi uma das principais referências arquitetônicas do meu Trabalho Final de Graduação realizado na antiga estação ferroviária de Guaranésia.

 

          4. Conte mais sobre esse seu projeto.

Meu projeto, chamado Estação Cultural Alberto Emiliano propõe uma revitalização da praça José Teixeira de Moraes, onde fica a antiga estação de trem que passaria a abrigar o novo museu da cidade. Na praça, que teve todo um trabalho de paisagismo, foram propostas diversas atividades que possibilitariam um uso mais constante como horta comunitária, anfiteatro para apresentações ao ar livre, áreas de descanso, além de um café bar instalado na antiga casa do portador. Foi projetado também um prédio anexo para abrigar salas multiuso para atividades como oficinas, biblioteca municipal e um auditório.

 

          5. Para conhecer um pouco mais sobre a profissão, quais são as atribuições de um Arquiteto?

São inúmeras as atribuições de um Arquiteto, mas as principais são Projetos arquitetônicos residenciais, comerciais e corporativos, projetos de interiores, paisagismo, reformas de fachadas, projetos de mobiliários e consultorias presenciais ou online. Além de projetos urbanísticos.

 

          6. Qual a diferença entre Arquitetura e Engenharia Civil?

A principal diferença está no tipo de formação dos dois profissionais. O curso de Arquitetura tem uma visão mais humana. Conversamos com o cliente para entender profundamente suas necessidades e somos capacitados a aproveitar melhor os espaços e condições de cada ambiente, como iluminação natural, ventilação e insolação. Já a Engenharia é mais voltada para a área de exatas, é o profissional capacitado para executar a parte estrutural do projeto. Por isso o ideal é que os dois profissionais atuem juntos na elaboração de um projeto.

 

           7. E qual a sua visão sobre a Arquitetura em Guaranésia e em nossa região?

Em Guaranésia percebo que a maior parte da população ainda não se acostumou com o trabalho de um arquiteto e muitas vezes nem sabe do que se trata, pensando ser apenas decoração. Já nas outras cidades da nossa região essa visão é diferente, as pessoas contratam o arquiteto para a elaboração de seu projeto.

 

          8. É possível fazer uma obra sem um arquiteto?

Não, pois o que dá início a uma obra de qualidade é o Projeto Arquitetônico bem feito e detalhado e o profissional mais capacitado para esse tipo de projeto é o Arquiteto, estudamos durante os cinco anos do curso todas as diretrizes para um projeto de qualidade. E uma obra para ser bem executada necessita de um trabalho em equipe de todos os profissionais da construção civil.

 

           9. E como evitar o desperdício nessa obra?

A melhor maneira de evitar um desperdício é com um Projeto Arquitetônico bem elaborado e detalhado, pois diminui o risco de comprar materiais em quantidades desnecessárias e principalmente o retrabalho, quando algo não sai da maneira esperada e precisa ser refeito. Cabe também ao profissional responsável pelo projeto fiscalizar sua execução para que tudo saia de acordo.

 

           10. O trabalho de um arquiteto hoje está mais acessível?

Sim, a Arquitetura é para todas as classes. É possível fazer bons projetos de Arquitetura para todos os tipos de cliente, desde residências que enquadram no programa Minha Casa Minha Vida até residências para condomínios fechados. Vale enfatizar que Arquitetura é qualidade de vida para os usuários e não luxo. No caso da Arquitetura de Interiores também é possível atender todas as classes, pois existem revestimentos de qualidade e até mesmo peças de decorações que atendem todos os orçamentos e perfis.

 

           11. Quais são seus métodos para entender o que o cliente deseja?

Utilizo o Briefing, uma entrevista onde o cliente conta sua história, seus sonhos, o que espera do novo projeto, quanto pretende gastar, quais são suas principais atividades, quais atividades pretende executar nesse novo espaço e também quem serão os usuários desse projeto. A partir das informações colhidas nesse briefing dou início ao primeiro estudo do projeto que passará por uma aprovação do cliente.

 

           12. Então o principal ponto do projeto é o arquiteto estar aberto ao que o cliente deseja?

Sem dúvidas, pois fazemos o projeto para o cliente e não para nós mesmo e então o importante é a satisfação do cliente. Mas cabe ao arquiteto responsável orientar o cliente sobre o melhor caminho a seguir, priorizando a funcionalidade e segurança do espaço, pois muitas vezes o cliente não se atenta para esse lado e prioriza somente a questão estética.

 

           13. É muito difícil estar sempre renovando as características de um projeto, buscando uma originalidade em cada um?

Não, pois cada cliente me dá uma diretriz do que seguir e isso já colabora para uma originalidade e a partir dessa diretriz consigo mesclar elementos que possibilitam esse projeto ser único.

 

           14. Qual o seu estilo?

Não tenho um estilo definido, gosto muito de variar de acordo com o projeto, mas alguns detalhes me agradam mais como ambientes mais neutros destacando com cores apena alguns pontos ou também ambientes rústicos mesclando texturas de madeira e cimento.

 

           15. Qual a parte mais difícil da sua profissão?

A parte mais difícil é projetar algo que satisfaça inteiramente meu cliente, atendendo todas as suas necessidades. É ter muita dedicação e concentração para elaborar todos os detalhes no projeto prevendo e evitando futuros transtornos na hora da obra

Letícia Porto Arquitetura - Guaranésia, MG

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